O Jogo do título inglês: Chelsea - Man. United
Depois de um desaire do último sábado, dia 22, frente ao Liverpool nas meias-finais da Taça de Inglaterra, o Chelsea de José Mourinho pode cobrir-se de novo de glória, ao conquistar matematicamente o título de campeão de Inglaterra frente ao Manchester United de Alex Ferguson e Carlos Queirós.
É às 12:30 de 29 de Abril que se põe fim a mais uma luta no mais antigo e mais emocionante campeonato do mundo, a Premiership Inglesa, e é de realçar alguns factos que aconteceram nesta época.
Lembremos o início arrasador do Chelsea, que será muito provavelmente o bi-campeão de Inglaterra, não concedendo golos que durante 7 jogos e marcando 13 golos. Só no fim da primeira parte do jogo com o Aston Villa, que teve na figura de Hughes, lateral esquerdo dos londrinos do Villa, o primeiro jogador a bater as redes de Cech aos 44 minutos.
Falando em defesas de betão, o que dizer do Liverpool FC? Que teve 8 jogos sem sofrer qualquer golo e marcando 18, seriam 8 vitórias imaculadas. Só com o Everton, eterno rival dos «Reds», é que o ainda campeão europeu sofreria golos, um de Beattie aos 42 minutos, contudo nada que impedisse o Liverpool de ganhar esse jogo no Goodison Park por 3-1, esta incrível série de vitórias só quebraria duas jornadas depois, em pleno Anfield Road frente ao Bolton Wanderers.
Mas do Liverpool também se podem relatar estatísticas mais negras, tais como os 5 golos marcados numa série de 10 jogos, que começou no mais recente "tórrido" duelo ibérico com o Chelsea e culminou com uma derrota no Highbury Park, frente ao Arsenal.
Os «Gunners» que esta época, apesar dos desaires atrás desaires nas competições internas, esta época fica marcada muito positivamente para o Arsenal por ser a primeira vez que Wenger, Henry e companhia vão a uma final europeia, a jogar com o Barcelona.
Mas como isto é um «review» do que se passou em Inglaterra recordemo-nos das estatísticas do Arsenal esta época: na Premiership, em 35 jogos, o Arsenal conseguiu 17 vitórias, 7 empates e 11 derrotas. Muita da culpa do fraco desempenho dos arsenalistas no campeonato é o historial fora de casa com 9 derrotas em 16 jogos na condição de visitante, tendo um goal-average negativo 14-17. Noutras competições inglesas, o Arsenal perdeu a Community Shield para o Chelsea por 2-1, logo no inicio da época. Na Carling Cup, os londrinos conseguiram chegar às meias finais onde foram surpreendidos pelo Wigan, recém promovido ao primeiro escalão inglês, foi no próprio Highbury que Roberts, atacante do Wigan Athletic, marcou nos 120 minutos do prolongamento o golo do 2-1, que depois do 1-0 no JJB Stadium a favor do Wigan conseguiu deste modo carimbar a passagem deste para a final da Carling Cup, que viria a jogar contra o Manchester United e perderia por 4-1. Na FA cup o insucesso foi ainda mais precoce e logo na 4ª eliminatória foi eliminado pelo Bolton Wanderers no Reebok Stadium, à custa de um golo do grego Giannakopoulus. De facto, a quinta posição do Arsenal leva os seus adeptos a esperar uma vitória em Paris frente ao Barcelona na final da Liga dos Campeões, para que seja possível entrar na LC da próxima época, caso isso aconteça, era curioso ver a UEFA dar de novo a possibilidade de haver 5 equipas inglesas numa fase de grupos desta competição, à imagem desta época, pois o Liverpool teve a oportunidade de jogar a sua qualificação a partir da 1ª pré-eliminatória da LC, só não aconteceu a eventualidade de jogarem as 5 equipas inglesas esta época porque o Everton sucumbiu aos pés do Villareal na 3ª pré-eliminatória.
O 4º classificado actual, com mais 4 pontos e um jogo que o Arsenal é o Tottenham Hotspurs, outra equipa londrina, que sob o comando de Martin Jol, que entrou na época passada para cobrir o vaga deixada por Jacques Santini, estando num desvario desde há muitas épocas e fora das competições internacionais, mas a equipa montada pelo holandês é agora de elevada qualidade que prima pela consistência do jogo e da regularidade nos resultados do campeonato, o segredo para esta receita é o meio campo dinâmico, composto por Carrick, uma rocha no miolo do campo e pelo pêndulo Edgar Davids, que constrói jogo, o virtuoso da equipa, Mido distribuiu o jogo para Jenas, Tainio, Defoe ou o melhor marcador da equipa com 16 golos: Robbie Keane.
Do Manchester United, apesar da vitória na Taça da Liga não há muito que se possa dizer de bom, ficou de novo atrás do Chelsea na luta pelo título, também não teve sucesso na Carling Cup, e a campanha da Liga dos Campeões foi um desastre ao ficar em último lugar no grupo D, depois de uma derrota frente ao Benfica no Estádio da Luz.
Em Old Trafford, vive-se acima de tudo um clima de transição, cada vez mais se apercebe que o Manchester chegou ao fim de um ciclo, Sir Alex Ferguson está a ficar gasto, não só nos métodos de treino, mas também na maneira como aborda os jogos, Carlos Queirós está na linha de sucessão para o cargo de manager do MU, porém, é Steve McLaren quem melhor se afigura, não só por ser de origem britânica e já ter feito parte da equipa técnica do Manchester, mas também porque a actual campanha do Middlesbrough, o clube que treina actualmente, na Taça Uefa está a tornar-se épica, pois está na final, na qual jogará com o Sevilha.
Agora, em tom de resumo, escrevo brevemente outros factos e curiosidades da Premiership época 2005/06: primeiro, a campanha do Wigan Athletic, na sua estreia no campeonato inglês conseguiu nas primeiras jornadas estar em segundo lugar, mas sempre a um nível muito alto, desde aí veio descendo de rendimento mas mesmo assim há que dar os parabéns a este debutante, cujo segredo, confidenciou o técnico Paul Jewell, era sessões de hipnose antes dos jogos, de modo a que os jogadores estivessem mentalizados para a vitória.
Ha outros destaques, tanto pela positiva como pela negativa, o Newcastle United é uma das equipas que preenche os dois lados. A lesão que pôs fim à gloriosa carreira de Shearer, e, outra foi a péssima primeira volta dos Magpies que terminou no despedimento de Greame Souness, a contratação das estrelas Luque e Michael Owen não surtiram o efeito desejado ainda que sob o comando do treinador Roeder a equipa de Tyneside esteja actualmente no 6º lugar.
Ao terminar este artigo, o Chelsea já é campeão de Inglaterra ao aplicar uma vitória sobre o Manchester por 3-0, José Mourinho continua a dar cartas por terras de sua majestade e já faz quatro anos, desde que começou a treinar o FC Porto que tem pelo menos dois titulos por época, sendo o campeonato uma constante nessas estatísticas.
Pessoalmente, creio que no panorama futuro o Chelsea dominará o campeonato inglês por mais duas épocas, apenas o Liverpool de Benitez e talvez um Newcastle a longo prazo poderão começar a partilhar com os «blues» a hegemonia britânica, Manchester não tem qualquer tipo de projecto ou equipa-base credível. Quando Giggs e Smith fazem o meio campo do Manchester, então, algo de mal se passa. O Arsenal é neste momento uma equipa jovem demais para construir sonhos de conquistar o primeiro lugar na Inglaterra. É possível também que possamos voltar nos próximos anos às épocas em que um ilustre desconhecido trepará ao trono de Campeão Inglês.
-Nélson Ricardo
É às 12:30 de 29 de Abril que se põe fim a mais uma luta no mais antigo e mais emocionante campeonato do mundo, a Premiership Inglesa, e é de realçar alguns factos que aconteceram nesta época.
Lembremos o início arrasador do Chelsea, que será muito provavelmente o bi-campeão de Inglaterra, não concedendo golos que durante 7 jogos e marcando 13 golos. Só no fim da primeira parte do jogo com o Aston Villa, que teve na figura de Hughes, lateral esquerdo dos londrinos do Villa, o primeiro jogador a bater as redes de Cech aos 44 minutos.
Falando em defesas de betão, o que dizer do Liverpool FC? Que teve 8 jogos sem sofrer qualquer golo e marcando 18, seriam 8 vitórias imaculadas. Só com o Everton, eterno rival dos «Reds», é que o ainda campeão europeu sofreria golos, um de Beattie aos 42 minutos, contudo nada que impedisse o Liverpool de ganhar esse jogo no Goodison Park por 3-1, esta incrível série de vitórias só quebraria duas jornadas depois, em pleno Anfield Road frente ao Bolton Wanderers.
Mas do Liverpool também se podem relatar estatísticas mais negras, tais como os 5 golos marcados numa série de 10 jogos, que começou no mais recente "tórrido" duelo ibérico com o Chelsea e culminou com uma derrota no Highbury Park, frente ao Arsenal.
Os «Gunners» que esta época, apesar dos desaires atrás desaires nas competições internas, esta época fica marcada muito positivamente para o Arsenal por ser a primeira vez que Wenger, Henry e companhia vão a uma final europeia, a jogar com o Barcelona.
Mas como isto é um «review» do que se passou em Inglaterra recordemo-nos das estatísticas do Arsenal esta época: na Premiership, em 35 jogos, o Arsenal conseguiu 17 vitórias, 7 empates e 11 derrotas. Muita da culpa do fraco desempenho dos arsenalistas no campeonato é o historial fora de casa com 9 derrotas em 16 jogos na condição de visitante, tendo um goal-average negativo 14-17. Noutras competições inglesas, o Arsenal perdeu a Community Shield para o Chelsea por 2-1, logo no inicio da época. Na Carling Cup, os londrinos conseguiram chegar às meias finais onde foram surpreendidos pelo Wigan, recém promovido ao primeiro escalão inglês, foi no próprio Highbury que Roberts, atacante do Wigan Athletic, marcou nos 120 minutos do prolongamento o golo do 2-1, que depois do 1-0 no JJB Stadium a favor do Wigan conseguiu deste modo carimbar a passagem deste para a final da Carling Cup, que viria a jogar contra o Manchester United e perderia por 4-1. Na FA cup o insucesso foi ainda mais precoce e logo na 4ª eliminatória foi eliminado pelo Bolton Wanderers no Reebok Stadium, à custa de um golo do grego Giannakopoulus. De facto, a quinta posição do Arsenal leva os seus adeptos a esperar uma vitória em Paris frente ao Barcelona na final da Liga dos Campeões, para que seja possível entrar na LC da próxima época, caso isso aconteça, era curioso ver a UEFA dar de novo a possibilidade de haver 5 equipas inglesas numa fase de grupos desta competição, à imagem desta época, pois o Liverpool teve a oportunidade de jogar a sua qualificação a partir da 1ª pré-eliminatória da LC, só não aconteceu a eventualidade de jogarem as 5 equipas inglesas esta época porque o Everton sucumbiu aos pés do Villareal na 3ª pré-eliminatória.
O 4º classificado actual, com mais 4 pontos e um jogo que o Arsenal é o Tottenham Hotspurs, outra equipa londrina, que sob o comando de Martin Jol, que entrou na época passada para cobrir o vaga deixada por Jacques Santini, estando num desvario desde há muitas épocas e fora das competições internacionais, mas a equipa montada pelo holandês é agora de elevada qualidade que prima pela consistência do jogo e da regularidade nos resultados do campeonato, o segredo para esta receita é o meio campo dinâmico, composto por Carrick, uma rocha no miolo do campo e pelo pêndulo Edgar Davids, que constrói jogo, o virtuoso da equipa, Mido distribuiu o jogo para Jenas, Tainio, Defoe ou o melhor marcador da equipa com 16 golos: Robbie Keane.
Do Manchester United, apesar da vitória na Taça da Liga não há muito que se possa dizer de bom, ficou de novo atrás do Chelsea na luta pelo título, também não teve sucesso na Carling Cup, e a campanha da Liga dos Campeões foi um desastre ao ficar em último lugar no grupo D, depois de uma derrota frente ao Benfica no Estádio da Luz.
Em Old Trafford, vive-se acima de tudo um clima de transição, cada vez mais se apercebe que o Manchester chegou ao fim de um ciclo, Sir Alex Ferguson está a ficar gasto, não só nos métodos de treino, mas também na maneira como aborda os jogos, Carlos Queirós está na linha de sucessão para o cargo de manager do MU, porém, é Steve McLaren quem melhor se afigura, não só por ser de origem britânica e já ter feito parte da equipa técnica do Manchester, mas também porque a actual campanha do Middlesbrough, o clube que treina actualmente, na Taça Uefa está a tornar-se épica, pois está na final, na qual jogará com o Sevilha.
Agora, em tom de resumo, escrevo brevemente outros factos e curiosidades da Premiership época 2005/06: primeiro, a campanha do Wigan Athletic, na sua estreia no campeonato inglês conseguiu nas primeiras jornadas estar em segundo lugar, mas sempre a um nível muito alto, desde aí veio descendo de rendimento mas mesmo assim há que dar os parabéns a este debutante, cujo segredo, confidenciou o técnico Paul Jewell, era sessões de hipnose antes dos jogos, de modo a que os jogadores estivessem mentalizados para a vitória.
Ha outros destaques, tanto pela positiva como pela negativa, o Newcastle United é uma das equipas que preenche os dois lados. A lesão que pôs fim à gloriosa carreira de Shearer, e, outra foi a péssima primeira volta dos Magpies que terminou no despedimento de Greame Souness, a contratação das estrelas Luque e Michael Owen não surtiram o efeito desejado ainda que sob o comando do treinador Roeder a equipa de Tyneside esteja actualmente no 6º lugar.
Ao terminar este artigo, o Chelsea já é campeão de Inglaterra ao aplicar uma vitória sobre o Manchester por 3-0, José Mourinho continua a dar cartas por terras de sua majestade e já faz quatro anos, desde que começou a treinar o FC Porto que tem pelo menos dois titulos por época, sendo o campeonato uma constante nessas estatísticas.
Pessoalmente, creio que no panorama futuro o Chelsea dominará o campeonato inglês por mais duas épocas, apenas o Liverpool de Benitez e talvez um Newcastle a longo prazo poderão começar a partilhar com os «blues» a hegemonia britânica, Manchester não tem qualquer tipo de projecto ou equipa-base credível. Quando Giggs e Smith fazem o meio campo do Manchester, então, algo de mal se passa. O Arsenal é neste momento uma equipa jovem demais para construir sonhos de conquistar o primeiro lugar na Inglaterra. É possível também que possamos voltar nos próximos anos às épocas em que um ilustre desconhecido trepará ao trono de Campeão Inglês.
-Nélson Ricardo
